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Subject: Re: O "socialismo" para as calendas...


Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 20/08/04 16:32
In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "O "socialismo" para as calendas..." on 19/08/04 16:28

Caro Fernando
1 - Começas o teu texto com esta afirmação:
“ninguém sabe o que os revolucionários de esquerda pretendem como resultado da revolução (violenta ou pacífica, não vem agora ao caso).” (Fernando)

Ora o que sempre esteve aqui em causa foi tu afirmares que nenhum dos candidatos à direcção do PS era bom porque não tinha “um projecto socialista para Portugal”. E foi sempre isto que eu contestei.
Se agora consideras o PS ou alguém do PS como revolucionários de esquerda e possíveis defensores da revolução, parece-me que entraste no puro delírio.

2 – “é imprescindível caracterizar um modo de produção alternativo e tentar ganhar as pessoas para ele”. (Fernando)

Estamos outra vez no delírio. Já alguma vez os socialistas defenderam um modo alternativo de produção? Que eu saiba sempre se acharam bem neste sistema e a única coisa que querem é mais solidariedade ou então “uma economia de mercado e não uma sociedade de mercado”. Pedir que tenham um projecto socialista para Portugal seria a mesma coisa do que caracterizar um modo de produção alternativo.

3 – “Há uma contradição entre por um lado a crítica violenta do capitalismo, que é apresentado como fonte de crises, desastres ambientais, miséria e por outro a ausência de uma proposta alternativa de sociedade. Então o capitalismo está a destruir o planeta, a reduzir milhões à morte pela fome, a desencadear guerras atrozes e nós dizemos que “...uma sociedade socialista, está hoje longe de estar em cima da mesa ou, se quiserem, na ordem do dia...”

Já alguma vez viste os socialistas fazerem uma crítica violenta ao capitalismo, dizendo que ele é responsável por essas atrocidades todas. Continuamos no delírio.

Por isso, e terminado estes três pontos, pensar que os candidatos à direcção socialista são maus porque não têm um "projecto socialista para Portugal" é de facto acreditar que alguma vez o PS defendeu aquilo que enumeras nos pontos anteriores ou que poderia vir a defender. Daí pensar que continuamos no puro delírio.

4 - Sobre Marx e a sociedade socialista ou a definição de uma futura sociedade socialista. Deixemos para outra altura, porque este tema é, quanto a mim, marginal à nossa discussão.

5 – É evidente que neste campo não estamos às escuras, e os partidos comunistas e afins têm uma ideia para onde querem ir. São mais de 100 anos de projectos revolucionários e teoria revolucionária. No entanto, não seria mau repensarmos alguns dos nossos objectivos. Mas isso será sempre ao nível de um partido comunista ou de alguém que admita que “outro mundo é possível”, não serão neste momento os partidos sociais-democratas.

6, 7 e 8 – Depois falas da balcanização dos descontentamentos, das lutas mesquinhas, e da defesas dos interesses individuais. Mas são estas lutas individuais ou sectoriais que poderão desembocar numa luta maior. No entanto, reconheço que aqui os partidos comunistas têm que fazer uma gestão mais cuidadosa da sua intervenção, de modo a não haver reivindicações contraditórias, nem oportunistas. Mas isto aprende-se e corrige-se, quando de facto se quer corrigir.
No meio disto, introduzes a tua visão mítica do passado. Como sabes o objectivo do PCP era o derrube do fascismo e não a construção do socialismo, esse seria para depois. Nestas circunstâncias todo o conjunto de lutas eram bem vindas, pois iriam ajudar a derrubá-lo. A aliança de todos os antifascistas, na base de um programa era um dos objectivos. Portanto, se recuperamos experiência passada verifica-se que todas ela é voltada para uma política de alianças na base de programas intermédios e de objectivos a curto-prazo. Os esquerdistas é que queriam fazer a revolução socialista e recusavam as alianças com a burguesia liberal. Por isso temos que ter algum cuidado quando mitificamos o passado.

9 – “tu pensas que se chega ao “socialismo” obrigando o Governo a aumentar os funcionários públicos, impedindo as multinacionais de fecharem umas fábricas no Norte, torpedeando a privatização de uns quantos hospitais, etc, etc. Se assim é penso que estás totalmente equivocado... “ (Fernando)
Aquilo que eu defendo é que na base de um programa se lute por uma alternativa de esquerda, que não obrigue o Governo a fazer isto ou aquilo mas permita que o Governo por nós eleito aumente os funcionários públicos, impeça as multinacionais de fecharem umas fábricas no Norte, não privatize a saúde, defenda o SNS, a escola pública e estabeleça todo um conjunto de medidas que vulgarmente estão associadas ao “Estado social”. A sua defesa e implementação já é uma alternativa à ofensiva do Governo de Direita e permitirá , num contexto político e social diferente, antever o que poderão ser os benefícios de uma sociedade socialista.
No fundo, a terminar, o que está em causa é simples, os candidatos à direcção do PS nunca poderiam defender “um projecto socialista para Portugal” e a alternativa de esquerda, a existir, tem que se basear num programa que defenda as conquistas sociais do 25 de Abril. Os projectos socialistas para Portugal virão depois.

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Replies:
Subject Author Date
Subsidialismo em vez de socialismoFernando Penim Redondo23/08/04 17:00


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