Uma característica que me chateia nas discussões marxistas é a superficialidade com que se usa a acusação de liberalismo e, no fundo, a superficialidade com que se combate o dito liberalismo sem contudo o marxismo ter resolvido os problemas que ele levanta.
"liberalizar a economia" não significa liberalizar a propriedade, necessariamente. E na China e noutros fora, muita "liberalização" pode estar a ocorrer sem que as relações de produção estejam necessariamente a ir num sentido abertamente capitalista. Estou a falar de possibilidades teóricas e algumas realidades práticas. Não estou a dizer que a China não estará mesmo a caminhar para o capitalismo.
Quer dizer o seguinte! Esta semana, o governo chines "liberalizou o monopólio estatal de TV, dizem as notícias. Mas no diário do povo diz-se que o dito monopólio foi substituído por quatro empresas públicas para permitir a concorrência entre elas e que está a ser pensado alguma iniciativa estrangeira no domínio do cabo. Portanto, esta dita liberalização, se olhada apenas por este exemplo, não será assim tão grande...
Quanto à entrada na OMC, não vejo como poderiam os chineses, comunistas proceder de outro modo. Neste m~es a OMC atingiu um acordo preliminar sobre agriculura com um significado enorme para a maioria do planeta. Foi o governo brasileiro o motor do acordo, em coligação com a Índia que terá levado as coisas para este acordo. Isso mostra que a OMC é, mai do que ser um mero comité de negócios do capitalismo, pode ser uma arena da luta de classes também
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