VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 1234[5]6789 ]
Subject: O Estado e o Interesse Público


Author:
Jorge Nascimento Fernandes
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 30/09/04 16:27
In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "O Interesse Público" on 29/09/04 12:56

O Estado e o Interesse Público

Lamento, mas parece-me que o texto de Miguel Poiares Maduro não tem grande interesse, é mais uma sistematização de diversas opções em jogo, não abordando aquilo que eu considero fundamental, nem o poderia fazer, dado que os textos sobre o Estado têm todos um caracter marcadamente ideológico e classista e são, sem qualquer dúvida, um profundo reflexo dos interesses de classe de quem os produz.
Para mim o problema do Estado encontra-se ainda ancorado ao nível de O Estado e a Revolução de Lenine, ou seja, o Estado reflecte sempre os interesses de uma classe e é sempre, em última instância, o meio de domínio de uma classe sobre outra. Lenine acrescentava depois que, com o advento da sociedade comunista, o Estado iria desaparecer ou definhar e por esse motivo a reflexão sobre a democracia era desnecessária. Nesta última fase, que passaria do domínio das pessoas par o das coisas, o Estado até poderia ser administrado por uma cozinheira. Esta visão do Estado, associado a uma desvalorização da democracia, acarretou posteriormente os atropelos e os crimes cometidos pelos Partidos Comunistas nos países de socialismo real. No entanto, e se é indispensável reflectir sobre a democracia, não deixa de ser importante continuar a pensar, na base de uma reflexão muito mais aprofundada e matizada, de que o Estado está serviço das forças que, num dado momento, são dominantes na sociedade. O Estado não é uma entidade abstracta, que paira independente da vontade dos homens que o administram e dos seus interesses. Esta é, quanto a mim, a visão marxista do Estado, podendo depois, de acordo com esta matriz, haver reflexões mais ou menos aprofundadas em torno deste tema e, acima de tudo, tentando enquadrá-lo em situações concretas.
Um segundo ponto tem a ver com um tema aqui muito abordado que é o do “Estado Social” e que está intimamente relacionado com o anterior.
O "Estado Social” foi uma resposta da burguesia, nos anos 30, à crise do capitalismo. Enquanto que em alguns países a solução foi a ditadura fascista e o esmagamento dos partidos representantes da classe operária: estamos a falar inicialmente da Itália fascista, mais reflexo do avanço das forças socialistas do que da própria crise do capitalismo, e depois do nazismo na Alemanha. Noutros países, foram buscar a solução a Keynes e na intervenção estatal na economia: temos assim os modelos sociais-democratas nórdicos e o “New Deal” americano, de Roosevelt. Esta solução, sem o dizer claramente baseou-se no Planos quinquenais soviéticos e na própria intervenção do Estado na produção. E tal como os Soviéticos foram buscar à Alemanha da I Guerra Mundial o planeamento de guerra, também o “New Deal” se foi basear no planeamento soviéticos e nas suas intervenções na economia, com a construção, por exemplo, das grandes barragens nos EUA. O pós II Guerra, com a vitória do Trabalhismo em Inglaterra, mas igualmente por toda a Europa em reconstrução, trouxe a vitória do “Estado Social”, com as nacionalizações das Indústrias, o investimento do Estado nas infra-estruturas, a Saúde e a Educação gratuitas e, simultaneamente, os pactos sociais com os sindicatos, que permitiram à Europa os anos de ouro do crescimento económico. É desta época, e como reflexo disto, a ideia do capitalismo de Estado desenvolvida por alguns teóricos comunistas e que acarretou algumas reflexões dos marxistas franceses que o Ângelo Novo tão bem caracteriza no seu último texto.
Ora nada disto se verifica hoje. Com a crise energética do início dos anos 70, e posteriormente com a queda da União Soviética, o capitalismo não evoluiu no sentido do capitalismo monopolista de Estado, mas sim para neoliberalismo, para a globalização, com o consequente desmantelamento do Estado Social. E hoje em Portugal, como reflexo do que se verifica na Europa, o que se passa é isso mesmo.
Onde, nesta luta ideológica e também económica que se trava hoje na Europa, se devem inserir os revolucionários, os comunistas, ou se quiserem os socialistas de esquerda?
E aqui eu diria que andamos todos como baratas tontas, à procura do nosso norte, que nos permita sair desta crise com as menores mossas possíveis. Assim, o PCP afirma que nada mudou e que é preciso defender Abril, versão portuguesa do “Estado Social” europeu. Entrincheirado nos sindicatos, mantém inalterável o seu referencial ideológico e espera que a crise passe ou que venham melhores dias para a Revolução, sempre esperada, mas nunca realizada. É o imobilismo ideológico e político mascarado de grande fidelidade aos princípios.
Outros, tentam encontrar nas indústrias do Estado, as que ainda o são, o embrião do futuro modo de produção socialista e imaginam que a participação de comunistas em alguns governos são já formas de transição para o socialismo. Para esses, tentei escrever um pequeno trabalho sobre a transição, inserido nos textos/Documentos pelo Fernando, ao qual falta uma segunda parte, em que pretendia ser mais preciso sobre o tema.
Outros ainda, deixando-se seduzir inconscientemente pela crítica de direita e do neoliberalismo, entendem que este “Estado Social” só cria ilusões oportunistas junto dos trabalhadores e resulta igualmente do seu esbulho e nesse sentido não faz mais do que perpetuar o actual sistema. A esses responderia, valentes, façam a Revolução, e acabem de vez com o oportunismo entre as massas.
Por último há a “terceira-via” sempre pronta a rever tudo e a alinhar, em nome do modernismo, com as posições da direita neoliberal.
Sem pretender dar lições, nem definir a linha justa. Parece-me que hoje a defesa do “Estado Social”, que o capitalismo há muito abandonou, a aliança ampla entre diversos grupos sociais apostados na mudança, sem chauvinismos, nem corporativismos, capazes de enfrentar os interesses do neoliberalismo e da globalização, com um programa ideológico virado à esquerda e defensor destes novos interesses, que pudesse estabelecer a hegemonia ideológica, poderia ter pernas para andar. É pouco, dirão, vamos tentar melhorá-lo. Avancemos pois para o claro confronto das ideias.

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Replies:
Subject Author Date
Re: O Estado e o Interesse PúblicoLuis Blanch30/09/04 16:48
Re: O Estado e o Interesse Públicoauguenta os cavais30/09/04 20:41
O Estado e a RevoluçãoLenine14/10/04 16:22


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.