| Subject: Re: Cosmopolitismos |
Author:
Ângelo Novo
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Date Posted: 13/09/04 16:17
In reply to:
José Manuel Faria
's message, "Re: Cosmopolitismos" on 13/09/04 14:49
>Qual é o mal do Cosmopolitismo. A diversidade? O
>perigo do inter-classismo?
Esta pergunta, realmente, só pode ser respondida pelo Albano Nunes. Eu não vejo mal nenhum no cosmopolitismo. Pelo contrário. Mesmo no sentido críptico usado pelo estalinismo, o que se pode dizer é que nunca gostei tanto dos judeus como quando eles tinham uma cultura cosmopolita que nos deu grandes homens e obras (Marx, Freud, Einstein, Trostky, etc, etc). Quando uma parte deles resolveu fazer-se chauvinista e cultora dos mitos de sangue e solo, é que estragaram tudo.
O inter-classismo aqui é uma falsa questão. Eu posso ser cosmopolita e ter uma visão 100% classista, tipo classe contra classe (não é o caso). O PCP promove o inter-classismo caseiro, embrulhado nas cores nacionais. Mas vem dizer-nos que os cosmopolitas, esses, são necessariamente inter-classistas.
Porquê? A meu ver há aqui um preconceito paternalista em relação à classe operária. No fundo, os dirigentes do PCP não acreditam que os trabalhadores, por si sós, se possam elevar a uma consciência universal. Acham que eles serão sempre mentes estreitas e paroquiais. O espírito universalista só pode vir-lhes de fora, da burguesia culta. E acham que isso é uma contaminação muito perigosa. Instintivamente, acham que com isso alguém lhes anda a tentar desencaminhar o rebanho.
Escusado é dizer, Marx pensava precisamente que os trabalhadores se elevavam natural e espontaneamente a uma consciência universal.
Relativamente ao texto de
>Ângelo Novo concordo com muito do que ele afirma na
>crítica às Teses, crítica pela esquerda obreirista.
>Como se concilia O M-L com a Democracia Política e
>liberdade partidária? Na Democracia Avançada do PCP,
>ou é apenas uma fase para o Comunismo?
O PCP quer chegar ao comunismo sem tomar o poder.
Acha que há um caminho progressivo da democracia burguesa até ao comunismo, passando por sucessivos estádios de aprofundamento da democracia económica, social, cultural, etc.. Não é preciso nenhuma ruptura revolucionária, apenas exercer uma pressão gradual e progressiva.
É esse caminho que eu acho que foi completamente desacreditado pela história dos últimos 3o anos.
Marx e Lenine tinham uma perspectiva totalmente diferente. Para eles as classes oprimidas têm de tomar o poder, transformar completamente o aparelho de Estado, exercer o sua hegemonia de uma forma clara e durável. Será sob uma forma democrática concerteza (fora períodos de grande instabilidade), mas com outro tipo de instituições, com muito maior participação de massas, etc..
Ângelo Novo
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