Com tantas e frequentes referências à escola e a cursos, etc. e tal, bem me queria parecer que você pertenceria a qualquer academia. Se é um estudioso, você o diz, só lhe ficará bem! Mas, cuidado, que nas academias ensinam muito as escolásticas!
Em relação à lei da queda tendencial da taxa de lucro (que julgo não ter sido a única com tão pomposa designação), não sei se a sua demonstração está errada, porque a desconheço e agora não dá tempo para lê-la, mas sei que a do Marx está. Não se prenda com as contra-tendências, tome apenas este cheirinho dos pressupostos de base: taxa de mais-valia constante; aumento da composição orgânica conduz necessariamente à queda da taxa de lucro. É claro, como nenhum dos dois pressupostos ocorre habitualmente, a tal lei nada explica, mesmo que a taxa de lucro desça (o que, a acontecer, ficará a dever-se a outra causalidade)!
Sobre o determinismo. Falava-se do determinismo histórico da substituição do capitalismo pelo comunismo, não? Ora quem o defende e deseja não são os humanos, mas uma parte deles, os comunistas, não? Então isso de falar-se na vontade dos homens refere-se à vontade de apenas alguns, não?
Por outro lado, está-se mesmo a ver: o feudalismo e o capitalismo estavam também pré-determinados, tal como o comunismo o estará! Ou, não o estando, foram o resultado da vontade dos homens em instaurá-los. Mais interessante, ainda, é essa de o resultado das lutas das classes parecer "que estava determinado", então, é mesmo saborosa! Deve ser pelas lentes embaciadas, que nos fazem confundir o ser com o parecer!
Confusão do mesmo tipo é a do pleonasmo do subir para cima e do descer para baixo. Acontece, no caso da determinação, que os verbos ser e estar não são nela sinónimos (como poderão ser noutros casos). Mesmo assim contradição minha? Delícia!
E, por falar em livre arbítrio: decido atribuir-lhe mais uns quantos pontos de inteligência, ainda que você ache que tem muita. Está decidido! Não se pode? Isto do livre arbítrio é só para o campo social? Fica para logo que seja possível!
António Fagundes.
>Caro António Fagundes,
>
>>Infelizmente, a "ideia pateta" da inevitabilidade do
>>comunismo, ainda para mais escudada numa pretensa
>>"previsão científica", tem de ser atribuída ao Marx.
>Agradeço a referência para poder estudar... É que eu
>-imagine-se - gosto mesmo é de estudar. Estudar,
>sempre...
>Ou seja, qual a obra "definitiva" (aquela, depois dos
>"altos e baixos") em que Marx afirma assim, "preto no
>branco", a inevitabilidade - presumo que esta palavra
>ainda tem o mesmo significado de "aquilo que NÂO se
>pode evitar" - do comunismo".
>
>>A sua intervenção, apesar da forma, é um exemplo da
>>vulgarização do Marx e de outros. Ora veja lá você que
>>o Marx só formulou uma lei, e essa tendencial (e...
>>errada nos seus pressupostos e conclusões!), e há
>>gente que vem aqui dizer que a inevitabilidade do
>>comunismo lhe deve ser atribuída e que isso
>>reflectiria uma concepção determinista da História
>>(ainda por cima, em contradição com outras suas
>>afirmações), etc., etc.! Essa gente tem mesmo falta de
>>pudor, não tem?
>
>Passando por cima dos sarcasmos e ironias (já ouvi
>pior... eh eh eh), confesso que não percebo... Fui eu
>que disse que Marx só formulou uma única lei (mas ele
>terá formulado outras)?... Foi de facto Marx que só
>formulou uma única lei?... mistérios... dúvidas...
>perguntas...
>E estará o estimado António Fagundes a referir-se à
>"Queda Tendencial da Taxa de Lucro"?...
>Se for esse o caso, desculpe lá mas explique-me em que
>é que a minha demonstração (*) está errada... Até para
>eu poder corrigir e clarificar... (Sucede que já revi
>e dei a rever a N pessoas (informáticos, matemáticos,
>sociologos e economistas), e sempre apareceram
>aspectos a melhorar... eh eh eh, a gente tem que
>aproveitar TODAS as críticas, né?)
>
>Diz-me depois em seguida, o estimado António Fagundes,
>esta coisa deliciosamente sarcástica:
>>Quereria você dizer que "o futuro não está
>>pré-determinado"? Se assim for é o contrário da
>>inevitabilidade do comunismo! Mas não estando
>>préviamente determinado é ele determinado pela vontade
>>dos homens? Se assim for, o futuro é determinado (como
>>o passado o foi e o presente o é), e o comunismo é
>>determinado pela vontade dos homens! Quer dizer,
>>atendidas as tais “condições iniciais”, porque não se
>>pode desejar o Sol, o resto é à vontade do freguês!
>>Mas à vontade de qual freguês, se nesta tasca social
>>há fregueses com gostos e interesses para os mais
>>variados futuros? E, ainda por cima, se alguns, que se
>>julgam os donos da tasca, têm as vinhas e as uvas de
>>que se faz o vinho que a malta bebe, estão armados de
>>varapaus e pontas e molas (ou têm campangas
>>contratados para o efeito) ou têm um falar tão doce
>>que faz a restante freguesia pensar que o branco é
>>preto!
>Mas, voltando a passar por cima dos sarcasmos e
>ironias (já ouvi pior... eh eh eh), confesso que não
>percebo...
>Para já julgava que pre-determinado era um pleonasmo,
>como "subir para cima" ou "descer para baixo"... Mas
>enfim serão estilos literários... O que eu quiz dizer
>(e qualquer aluno do 1º ano de Sociologia tem
>obrigação de saber...) é que enquanto em Astronomia a
>posição dos planetas é capaz de estar determinada com
>uns milhares, milhões, de anos de antecendência (agora
>que o Copérnico e mais recentemente os srs., do Big
>Bang já explicaram ao pessoal como é que funciona o
>Universo), já no caso das coisas da Sociedade Humana,
>havendo (como parece que há...) uma coisa chamada
>"livre arbítrio", o futuro depende de dois tipos de
>factores: a vontade humana e as condições estruturais,
>objectivas, de partida para qualquer mudança que se
>queira empreender. Dentro dos limites da capacidade de
>intervenção dessa vontade humana... Não é à vontade do
>freguez... E, em todo o caso e claro, será sempre à
>vontade dos "freguezes" com mais vontade, mais
>capacidade, mais poder... mais esperteza ou
>inteligência etc...
>Porque, como aliás assinala e muito bem o nosso
>estimado António Fagundes, no entrecruzar de
>interesses, lutas e inércias sociais (sempre em
>curso), sempre resultará algo que "até parece que
>estava determinado" !!!
>Ora cá está (pelos vistos... eh eh eh) uma contradição.
>Afinal, sou eu a chegar à conclusão que "tudo - e o
>Futuro também - está determinado"... E agora?...
>Agora é simples: ou há livre arbítrio (e consciência
>das "leis tendenciais" que regulam a evolução da
>espécie humana), ou há determinismo...
>A escolha é do freguez!
>Cordiais saudações,
>Guilherme Statter
>
>(*) Pode ver uma versão "rascunhada" aqui no DoteCome
>em Textos/Documentos.
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