Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 13/09/04 12:35
In reply to:
Ângelo Novo
's message, "PCP: O Estado das Coisas" on 13/09/04 1:24
Cosmopolitismos
Não sei se este texto do Ângelo Novo foi introduzido pelo próprio ou por alguém sem citar a fonte. Volto ao problema já levantado pelo Fagundes, a que sou de facto sensível.
Ângelo Novo que escreve para diferentes revistas, sei que o faz para a “Política Operária”, que lamentavelmente deve ter uma distribuição confidencial, porque nunca a vi à venda, e também para a “Vértice”, tem uma página na Internet com todos os seus trabalhos e é regularmente afixado nos “textos/documentos”. Sem ter lido todos os seus trabalhos, reconheço que é uma pessoas bem informada, como depreciativamente se diz aqui no dotecome: “é um homem de muitas leituras”, e com as ideias arrumadas. Por isso acho que deve ser lido e apreciado.
Vem isto a propósito de este seu texto sobre “O Estado das Coisas” no PCP. Não será agora que irei fazer a crítica a este seu artigo, mas desde já lhe chamo a atenção, que sendo justa a crítica que faz, ela se insere numa muita antiga divergência, que remonta à cisão do Francisco Martins Rodrigues, actual director da “Política Operária” e o primeiro maoista português, quando nos anos 60 fundou a FAP, em divergência com o PCP.
Já tenho feito referência a isso aqui no dotecome, como os “esquerdistas”, dos anos 60, defendiam que o derrube do fascismo passava pela revolução socialista, contra as teses do PCP que defendia a revolução democrática e nacional, que tinha como objectivo a aliança de todas as camadas antifascistas, que em termos objectivos se traduzia na aliança entre o proletariado, o campesinato, a pequena-burguesia e a intelectualidade, com vista ao derrube do fascismo. As divergências são antigas e remontam, como já muito bem sublinhou o Francisco Martins Rodrigues à época das Frentes Populares, no seu libro o “Anti-Dimitrov”.
Mas este meu texto vem a propósito de uma pequena nota do artigo do Ãngelo Novo, a (3) , que remete para um artigo muito recente do Albano Nunes, no Militante, que defende que a tarefa urgente é combater “o cosmopolitismo”.
Ora eu, há tempos, encontrei no dotecome uma denúncia do cosmopolitismo, feita por algum “ortodoxo”, de que já não me recordo o nome, a propósito da candidatura do Bloco de Esquerda às eleições para o PE. Fiquei bastante impressionado porque a denúncia do cosmopolitismo remontava aos finais dos anos 40, do século passado, e tinha sido desencadeada pelos estalinistas, contra o capitalismo ocidental, mas também contra os judeus, e visava expurgar da arte e da ideologia soviética tudo o que eles classificavam como cosmopolitista. Esse “ortodoxo” ficou muito indignado com estas minhas acusações, lá vem outra vez a acusação de que eu era homem de muitas leituras, e pelo desenrolar da conversa pareceu-me que tinha sido o Miguel Portas a fazer a defesa do cosmopolitismo. Percebi então porque estavam tão encarniçados. Hoje, ao ver um peso pesado como o Albano Nunes vir outra vez atacar o “cosmopolitismo”, penso que não estamos perante um pequeno reflexo em relação a uma frase sem muito significado do Miguel Portas, mas sim com um objectivo bem determinado e que ressuscita a velha campanha estalinista.
Continua.
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