| Subject: Re: Para que serve um P.C. !? |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 23/11/04 15:24
In reply to:
Ângelo Novo
's message, "Para que serve um partido comunista?" on 23/11/04 11:24
Reina aqui uma grande confusão , um emaranhado de novêlos que é difícil saber a origem .
O tempo das receitas ,do pronto-a - vestir de modelos socio-políticos redentores , há muito que figuram no "museu da história " , o tal onde se encontram o machado de bronze e a roca de fiar.
Felizmente que não se está grudado a moldes que , com o tempo se empastelaram , fundiram , liquefizeram-se ; porque a prática e os ensaios sucessivos a que os homens submeteram esses seus mais generosos anseios encarregaram-se de pôr limites aos resultados obtidos , bem longe das utopias da perfeição mas de qualquer maneira com o avanço histórico sempre ao seu lado.
Os Partidos comunistas chamaram a si, sobretudo com Lénin , a condução e direcção de um grandioso processo emancipatório ,criando com a revolução de Outubro as condições para novas formas de organização da sociedade , com as primeiras experiências de sociedades orientadas para a construção de uma sociedade de novo tipo.
A projecção mundial destas realizações , orientadas e lideradas pelos PCs , mostrou que as forças que se condideravam serem portadoras de uma dinâmica própria e o grande factor de avanço histórico do sec. XX eram os partidos comunistas , as vanguardas da classe operária.
Esses pressupostos , que o eram (são? ) obedecem a conjunturas ,a contextos , a motivações e a condições concretas muito claras . Continuo a pensar que a História não é aleatória e está muito enformada pelos antes e pelas disposições subjectivas do momento , avançando muito rápidamente...
Os PCs. sempre que as condições concretas da Humanidade , os factores objectivos e subjectivos se mostrarem susceptíveis de darem coesão e continuidade às lutas , terão a sua razão para existirem...
deradas >Aqui no Dotecome, em 28/12/03 (no forum do XVI ao XVII
>>Congresso do PCP (sexto)) respondia assim o novo
>>anjinho ao Paulo Fidalgo:
>>
>>“(...) Aqui, na Europa, sou a favor de uma estratégia
>>gramsciana de ocupação de espaços de influência
>>ideológica e cultural na sociedade civil, mas com
>>abertura para a emergência de focos de insurreição
>>política.
>>
>>Sou a favor da radicalização dos movimentos sociais,
>>com ocupação de fábricas, centros de emprego,
>>segurança social, "shopping-centers", grandes
>>superfícies, empresas de distribuição de água e
>>electricidade privatizadas, etc..
>>
>>Sou a favor da eleição de comités de luta por cidades,
>>regionais, nacionais, pan-europeus. E sou a favor,
>>naturalmente, do enquadramento político das lutas por
>>uma organização revolucionária dotada de uma
>>estratégia clara, lúcida e coerente.
>>
>>É claro que a situação não está ainda madura para isto
>>e, neste momento, parece-nos (até a mim) radicalismo
>>infantil. Mas espere por daqui a dez, quinze anos,
>>pelo caminho que as coisas tomam.”
>>
>>Ângelo Novo
>
>
>
>Eu não devia dar mais paleio a estes energumenozinhos
>ignorantes. Mas em atenção ao restante público
>interessado, aqui vai um esclarecimento paciente.
>
>Isso que aí se deixou esboçado (de improviso e
>recorrendo apenas à imaginação) é uma tomada de poder.
>Um partido proletário de inspiração marxista e
>leninista (deixemos de fora o hífen) constitui-se e
>mantém-se em luta com o objectivo de tomar o poder e
>instaurar uma nova ordem social. Há certamente quem
>milite no PCP há anos (ou mesmo décadas) e caia dos
>céus ao ouvir isto. Mas é de facto assim.
>
>Ora, nem sempre se depara ao partido uma situação
>revolucionária. Então há que esperar, sim, e ir
>construindo pacientemente essa oportunidade histórica.
>Entretanto, o partido mantém-se organizado e
>interventivo, no plano da reivindicação social, e
>eventualmente com participação nas tribunas que lhe
>são proporcionadas pela "democracia" burguesa, mas
>sempre de forma instrumental, sem ilusões. O seu
>objectivo é a tomada revolucionária do poder, para a
>instauração de um outro regime político e social. Um
>regime democrático, obviamente, mas com outro tipo de
>instituições, moldadas para o exercício do poder pela
>classe produtora.
>
>Nunca, mas nunca, as instituições políticas burguesas
>algum dia no mundo vão desembocar, por milagre
>"progressista", em qualquer democracia "avançada" a
>caminho do socialismo. Nunca, mas nunca, da democracia
>burguesa sairá algo que não seja opressão de classe,
>imperialismo e guerra.
>
>Mas esta é a estratégia do PCP, colhida no tempo da
>"coexistência pacífica" e numas teorias ilusórias
>sobre transição pacífica. Há quarenta anos atrás, num
>outro mundo.
>
>O que quer dizer que, armado com esta estratégia e da
>cultura política que dela decorre, o PCP nunca será
>uma força revolucionária. Na verdade, deparando-se-lhe
>uma situação revolucionária, ele vai certamente
>ordenar aos trabalhadorers que regressem a casa, que
>vão para o trabalho pacientemente porque tudo se há-de
>resolver pelas vias da concertação social normal. E
>viveríamos em regime de ditadura de classe e sujeitos
>à exploração capitalista até ao fim dos tempos.
>
>Logo, para quem se dá como tarefa lutar em Portugal
>pelo fim do regime de exploração capitalista, o PCP
>não serve. Ou o partido muda radicalmente (mas já não
>há muito tempo e a pachorra vai-se esgotando) ou terá
>de ser posto de lado como uma velharia inútil e
>perniciosa. Uma velada sem fim por ruins defuntos
>(refiro-me ao Brezhnev e co.).
>
>
>
>Ângelo Novo
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