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Subject: Re: TROCA DESIGUAL E EVOLUÇÃO SOCIAL - 1


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 29/08/04 23:33
In reply to: António Fagaundes 's message, "Re: TROCA DESIGUAL E EVOLUÇÃO SOCIAL - 1" on 29/08/04 18:07

A ver se "isto" se pode explicar...
Em todo o caso vou apenas isolar as frases que me parecem "resumir" a questão aqui em causa...

>...El capitalista
>invierte una suma de dinero en comprar medios de
>producción y fuerza de trabajo, con ellos produce una
>mercancía, y con su venta obtiene más dinero del que
>invirtió. Al inicio del proceso tenía un millón de
>euros y al final tiene un millón doscientos mil euros.
>La pregunta que debemos hacernos ahora es la
>siguiente: ¿de dónde surgieron los doscientos mil
>euros? La economía vulgar responde que proviene del
>mercado y que es fruto de las habilidades del
>capitalista, que sabe comprar barato y vender caro.
>Marx, por el contrario, mantiene que el plusvalor de
>doscientos mil euros no proviene del mercado, pues
>tanto en la compra de los factores de producción como
>en la venta de la mercancía producida se produce un
>intercambio de valores iguales. A su juicio el cambio
>de valor que experimenta el capital proviene de la
>producción, pero no del capital constante, capital
>invertido en medios de producción, sino del capital
>variable, capital invertido en fuerza de trabajo.

Temos aqui o exemplo da confusão entre duas perspectivas complementares mas distintas... Do tipo da tal questão (a que já aqui me referi) da pergunta de "qual das duas lâminas da tesoura é que corta o pano" (sugerida - para redução ao absurdo por Marshall).
Em primeiro lugar se estivessemos em "concorrência perfeita" (como mandam as regras do modelo do equilibrio geral) então não haveria o "lucro económico".
Apenas pagamento a TODOS os factores (socialmente necessários ) da produção.
Em segundo lugar a economia convencional verá apenas os 200.000 euros de "valor acrescentado" (o tal do IVA), como o pagamento do risco, da iniciativa, do "custo de oportunidade", (renhauhau, bicho mau....).
A análise marxista (aquela que está expressa na formula matemática elaborada pelo Marx (e por isso é que é marxista, sem revisionismos...) diz apenas que aqueles 200.000 euros resultam do facto de os "trabalhadores" (TODOS... até os funcionários "menos produtivos" e o "administrador-geral" também...) trabalharem e produzirem mais do que o suficiente para se reproduzirem a si mesmos enquanto "força-de-trabalho".
Daí ser um êrro crasso (mas comum) de muitos marxistas colocarem a questão da forma seguinte:

>¿Pero cómo es posible que el capital invertido en
>salarios varíe su valor?

Para depois responderem com um "obreirismo" primitivo:
>Porque el capitalista hace
>trabajar al obrero más allá del tiempo de trabajo
>necesario, esto es, más allá del tiempo de trabajo
>necesario para producir en mercancías el equivalente
>del salario que percibe.

Mas o êrro é agravado quando o nosso "comunista y obrero" nos revela a confusão entre a "bateria" (o conjunto de pessoas que constituem a 'força-de-trabalho') e a "corrente eléctrica" (o fluxo de actividades produtivas').
As pessoas não se vendem a si mesmas. Vendem apenas a disponibilidade das suas pessoas durante uma fracção de tempo. Durante a qual fracção de tempo tanto podem "estar quietas" como "trabalhar que nem uns malucos".

>... Pero la fuerza de trabajo se
>vende por un tiempo determinado y debe ser devuelta al
>termino de dicha duración temporal a su propietario:
>el trabajador. El origen del plusvalor está en que el
>capitalista hace trabajar al obrero más allá del
>tiempo de trabajo necesario. Y si el plusvalor es
>plustrabajo, entonces el plusvalor pertenece al obrero
>aunque se lo apropie el capitalista. Por lo tanto,
>bajo el punto de vista del proceso de trabajo el
>producto pertenece al capitalista, pero bajo el punto
>de vista de la valorización hay una parte del producto
>que crea el trabajador y se la apropia el capitalista.
>Por lo tanto, el trabajador tiene todo el derecho a
>reclamar su propiedad sobre el plusvalor".
Claro que aqui o nosso "comunista y obrero" está a passar por cima do caracter "SOCIAL" ( da sociedade como um todo!!!) dos diversos processos de produção. Ou seja, aqueles 200.000 euros pertencem tanto aos "trabalhadores" daquela particular empresa, daquele particular "capitalista", COMO PERTENCEM (entre outros!...) AOS MILHARES de cientistas, professores, instrutores, médicas e enfermeiros que se encarregam da "actualização tecnológica" e "manutenção técnica" mas "máquinas orgânicas produtoras de valor"...
Quero eu dizer na minha que era bom que os analistas toso deste nosso mundo deixassem de olhar para cada uma das empresas em isolamento e passassem a ver a sociedade como um todo. É que aqui (como noutras ciências) a soma das partes é MUITO mais do que apenas a sua agregação.

Entretanto e no que diz respeito aos comentários de António Fagundes,
>O interesse por este naco de prosa é o de ele espelhar
>com clareza as inconsistências da concepção do Marx
>acerca da exploração, e de o seu autor, como, aliás, o
>seu interlocutor na polémica, ser incapaz de ir um
>pouco mais além da repetição dos mesmos estereótipos
>marxistas.
Quero referir (e é apenas a minha pessoalíssima posição...)
que entendo que Marx teria um (inultrapassável?...) problema de comunicação e/ou exposição. O que leva muito boa gente a falar de "inconsistência" nas concepções de Marx.
Por um lado teria sempre que discutir os processos de exploração e acumulação com referência a cada uma das empresas em que se passava, de forma mais estruturada (e até visível), o processo de criação de mais-valias e acumulação. A empresa era aliás um fenómeno social então bastante recente. Até aí muita da acumulação passava-se no seio das actividades produtivas de âmbito familiar ou por iniciativa das obras estatais...
Mas, por outro lado, Marx fartou-se de referir, frisar e sublinhar o caracter eminentemente social do processo de produção próprio do capitalismo. Ou seja, "os custos de umas empresa são também sempre vendas de outras empresas". E estas, as empresas, só podem funcionar em mercados (que mesmo mínimamente regulados) exigem toda uma panóplia de serviços e instituições que os economistas convencionais (quase sempre) se limitam a remeter para o campo das "externalidades". Como se a economia fosse uma "coisa" separada do resto da sociedade.
É por isso que eu repiso aqui o facto de Marx ter insistido no caracter eminentemente social do processo de produção.
E é também por isso que quando eu analiso a tal formula matemática(*), NÃO VEJO nenhuma empresa em particular, MAS SIM A TOTALIDADE DAS EMPRESAS E DOS (diversos) SERVIÇOS PÚBLICOS que constituem a globalidade do "sistema".
E a esse nível - do "somatório dos mercados" - é que eu digo que ambas as perspectivas (a "marginalista" e a "marxista") têm a sua visão "correcta", só que a análise marxista vê o processo de aumulação enquanto resultado do "sobre-trabalho" da sociedade como um todo, a análise marginalista parece que acha que o excedente acontece por obra e graça do "Espírito Santo".
Mesmo quanto temos ministros das finanças ou primeiros-ministros (que juram a pés juntos contra a análise marxista - "vá de retro satanás"...), a aplicarem paulatinamente (e a exigirem o pagamento!!!) de um imposto de inspiração marxista, mais conhecido por IVA...

>Pareceu-me, por este facto, que se encaixava na
>discussão que aqui vem sendo travada entre o Statter e
>o Correia, e que até agora parece não ter interessado
>a mais ninguém.
Pois, tem toda a razão... E é pena porque estas questões estão no centro de muitas outras discussões, como "luta de classes" e "socialismo"...
Cordiais saudações,
Guilherme Statter
(*) Para os mais distraídos, a fórmula matemática a que eu me refiro é aquela que exprime a "Tendencia Decrescente da Taxa de Lucro" e que eu insisto em considerar que está para o funcionamento do sistema capitalista (tal como ele é aliás postulado e modelizado pelos seus "proponentes"), como a formula de Newton está para a força de gravidade no sistema solar.

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Subject Author Date
Re: TROCA DESIGUAL E EVOLUÇÃO SOCIAL - 1José Manuel Correia30/08/04 22:30


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