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Subject: Re: TROCA DESIGUAL E EVOLUÇÃO SOCIAL - 1


Author:
António Fagaundes
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Date Posted: 29/08/04 18:07
In reply to: José Manuel Correia 's message, "Re: TROCA DESIGUAL E EVOLUÇÃO SOCIAL - 1" on 27/08/04 16:51

Contribuição para a discussão em curso.

Navegando aqui ao lado, no site rebelion.org encontrei o naco de prosa que se segue, que faz parte de uma discussão que ali se vem travando entre dois adeptos comunistas acerca do tema "Es el marxismo una ciencia?".

O castelhano é língua acessível aos frequentadores deste fórum, pelo que escuso de traduzir (e de comenter qualquer erro, ainda que involuntário).

"2. La relación económica entre capitalista y trabajador. El problema que nos traemos entre manos Jordi Soler y yo es el siguiente. Soler plantea que el intercambio de dinero y fuerza de trabajo es un intercambio de equivalentes, hecho que yo no niego. Pero yo defiendo que los trabajadores deben reclamar su derecho de propiedad sobre el plusvalor, hecho que Soler no acepta. Para defender su postura Soler hace uso de una cita de Marx cuyo contenido final es el siguiente: “El proceso de trabajo es un proceso entre cosas que el capitalista ha comprado, entre cosas que le pertenecen. Por eso el producto de ese proceso le pertenece exactamente igual que el producto del proceso de fermentación que discurre en su bodega”. Y sobre la base del contenido de esa cita Soler afirma que están claras las siguientes dos cuestiones: una, el intercambio de dinero por fuerza de trabajo es un intercambio de equivalentes, y dos, durante el proceso de trabajo tanto la fuerza de trabajo como todo lo que ésta produce son propiedad del capitalista.

Aquí va mi respuesta: si bajo el punto de vista del proceso de trabajo es cierto que el producto pertenece al capitalista, bajo el punto de vista del proceso de valorización el producto contiene una parte del valor que no pertenece al capitalista. Pero entremos en detalle para aclarar esta cuestión. El capitalista invierte una suma de dinero en comprar medios de producción y fuerza de trabajo, con ellos produce una mercancía, y con su venta obtiene más dinero del que invirtió. Al inicio del proceso tenía un millón de euros y al final tiene un millón doscientos mil euros. La pregunta que debemos hacernos ahora es la siguiente: ¿de dónde surgieron los doscientos mil euros? La economía vulgar responde que proviene del mercado y que es fruto de las habilidades del capitalista, que sabe comprar barato y vender caro. Marx, por el contrario, mantiene que el plusvalor de doscientos mil euros no proviene del mercado, pues tanto en la compra de los factores de producción como en la venta de la mercancía producida se produce un intercambio de valores iguales. A su juicio el cambio de valor que experimenta el capital proviene de la producción, pero no del capital constante, capital invertido en medios de producción, sino del capital variable, capital invertido en fuerza de trabajo. ¿Pero cómo es posible que el capital invertido en salarios varíe su valor? Porque el capitalista hace trabajar al obrero más allá del tiempo de trabajo necesario, esto es, más allá del tiempo de trabajo necesario para producir en mercancías el equivalente del salario que percibe.

Marx distingue entre creación de valor y valorización. Si el tiempo de trabajo sólo dura hasta producir el equivalente del salario, hablaremos de creación de valor; pero si dura más allá del tiempo de trabajo necesario, hablaremos de valorización. Es cierto que el valor de uso de la fuerza de trabajo pertenece al capitalista y todo lo que produzca con ella le pertenece igualmente. Pero la fuerza de trabajo se vende por un tiempo determinado y debe ser devuelta al termino de dicha duración temporal a su propietario: el trabajador. El origen del plusvalor está en que el capitalista hace trabajar al obrero más allá del tiempo de trabajo necesario. Y si el plusvalor es plustrabajo, entonces el plusvalor pertenece al obrero aunque se lo apropie el capitalista. Por lo tanto, bajo el punto de vista del proceso de trabajo el producto pertenece al capitalista, pero bajo el punto de vista de la valorización hay una parte del producto que crea el trabajador y se la apropia el capitalista. Por lo tanto, el trabajador tiene todo el derecho a reclamar su propiedad sobre el plusvalor".

O interesse por este naco de prosa é o de ele espelhar com clareza as inconsistências da concepção do Marx acerca da exploração, e de o seu autor, como, aliás, o seu interlocutor na polémica, ser incapaz de ir um pouco mais além da repetição dos mesmos estereótipos marxistas.

Pareceu-me, por este facto, que se encaixava na discussão que aqui vem sendo travada entre o Statter e o Correia, e que até agora parece não ter interessado a mais ninguém.

António Fagundes.


>Statter.
>
>Você coloca diversas questões, em diversos temas que
>abriu no fórum, cuja discussão não é fácil, para mais
>num fórum informal e na situação em que me encontro de
>momento. Vou tentar responder neste a algumas delas,
>na medida do que me for possível (já que estou longe,
>em final de período de férias, e não disponho de meios
>de consulta, nem das minhas intervenções já retiradas
>do fórum (de que, por serem informais, não guardo
>cópia em qualquer lado) nem de outros meios, e até o
>uso do computador e o acesso à internet não são fáceis
>nem baratos). Fá-lo-ei, então, de forma hiper
>resumida, abordando a teoria do valor, a troca
>desigual e a concepção da exploração. Não respondo a
>outras questões que coloca, porque não as compreendi,
>porque o seu estilo me parece algo desordenado e um
>pouco confuso (por qualquer limitação minha) ou,
>ainda, porque não me motivaram.
>
>1-Teoria do valor. Na concepção marxista, o valor de
>troca (daqui em diante, designado apenas por valor)
>das mercadorias produzidas segundo os processos
>capitalistas, isto é, como produtos da aplicação de
>capitais (em geral, os produtos industriais e
>agrícolas), é o que custa produzi-las, e o que custa
>produzi-las é um somatório de tempos de trabalho
>socialmente necessários, de trabalho passado e de
>trabalho presente. Resumamos, por comodidade, o tempo
>de trabalho presente ao tempo de trabalho vivo do uso
>da força de trabalho e à parte consumida da vida útil
>estimada dos meios de trabalho ou tempo de trabalho
>passado neles materializado (embora esta apenas possa
>ser estimada, e, portanto, também com a sua quota de
>indeterminação).
>
>Sendo as mercadorias produzidas com produtividades
>diversas, o tempo de trabalho passado materializado
>nas mercadorias que entram na produção como meios de
>produção pode-se desviar, para mais ou para menos, do
>tempo de trabalho socialmente necessário tomado como
>padrão do valor (ou tempo de trabalho social médio);
>por outro, sendo o próprio tempo de trabalho presente
>também ele um tempo de trabalho particular, que pela
>sua produtividade concreta também se pode desviar do
>tempo de trabalho presente social médio com que são
>produzidas as mercadorias similares, o tempo de
>trabalho materializado nas mercadorias – o seu valor –
>é uma grandeza de dimensão indeterminada, porque
>diferenciada em relação ao padrão por desvios de
>dimensão desconhecida e incalculável (porque as
>mercadorias não trazem no rótulo ou na factura o seu
>custo de produção em tempo de trabalho).
>
>O facto de na troca capitalista as mercadorias serem
>produtos de capitais desigualmente compostos,
>susceptíveis de gerarem produtividades diferenciadas,
>faz com que o valor não possa ser expresso, com
>fiabilidade, em tempo de trabalho socialmente
>necessário. Por esta razão, a teoria do valor
>adapta-se melhor a um modo de produção
>pré-capitalista, em que a composição orgânica dos
>capitais não fosse tão desigual ou, sendo-o, a
>produtividade dependesse fundamentalmente do trabalho
>vivo (e, por isso, o seu diferencial fosse
>desprezável), do que ao modo de produção capitalista.
>Aliás, o facto do valor acrescentado ou lucro (a
>mais-valia marxista) ser determinado em função do
>capital variável (e na base de taxas de mais-valia
>constantes...) é disso exemplo elucidativo.
>
>2-A troca desigual. Também na perspectiva marxista, a
>troca das mercadorias capitalistas far-se-ia na
>proporção dos seus valores, o que em meu entender
>constitui outro equívoco de Marx. É claro, as
>mercadorias trocam-se baseadas na proporção de algo;
>mesmo que esse algo pudesse ser quantificado como
>tempo de trabalho, ainda assim as mercadorias não se
>trocariam na proporção dos seus valores mas na
>proporção das suas produtividades, isto é, na
>proporção com que os seus valores particulares
>constituíssem economia em relação aos valores sociais
>médios (isto é, na proporção das suas produtividades
>relativas). Acontece que as mercadorias se trocam como
>produtos de capitais e não como produtos de tempos de
>trabalho, e, nessa qualidade, ainda como produtos de
>capitais diversamente compostos e susceptíveis de
>gerarem produtividades também diversas; e, também
>neste caso, elas não se trocam na proporção do capital
>que encerram mas na proporção das produtividades
>geradas pelos capitais com que foram produzidas.
>
>Se a filosofia do capitalismo fosse trocar as
>mercadorias na proporção do valor que encerram, fosse
>ele tempo de trabalho ou capital, a troca capitalista
>seria meramente uma troca equitativa e não uma troca
>desigual.
>
>3-Concepção marxista da exploração. Apesar de você
>pensar que o essencial da obra de Marx é a teoria do
>valor, há quem pense que o essencial seja a concepção
>da exploração. Vejamos então porquê ela não tem
>consistência e pode ser considerada outro equívoco (no
>sentido de uma das variantes do erro).
>
>Esclareço uma questão prévia, para que o que se segue
>não seja inteligível, e que respeita à diferente
>qualificação das mercadorias, que tendo em comum serem
>valores de uso (produtos úteis) trocados no mercado
>podem ser originadas em diferentes modos de produzir.
>Espero, deste modo, desfazer uma confusão frequente
>neste fórum que identifica, erradamente, mercado com
>capitalismo, e que resulta de não ter sido ainda
>compreendido que a troca no mercado foi um avanço
>civilizacional que antecedeu o capitalismo e,
>eventualmente, lhe subsistirá, e que embora a economia
>política capitalista seja vulgarmente designada por
>economia de mercado (nomeadamente, por contraposição à
>de economia estatal ou planificada, já que dantes tal
>eufemismo não ocorria) ela não restringe a isso e a
>sua principal característica é as suas mercadorias
>serem produtos da aplicação de capital.
>
>Mesmo no extenso mundo das mercadorias capitalistas
>nem todas têm o seu valor determinado pelo custo dos
>mesmos factores de produção. O valor de meios de
>produção cuja quantidade é limitada e têm o seu uso
>concessionado ou a sua propriedade privada, como as
>minas, a terra ou, generalizando, tudo aquilo que não
>é de acesso livre (como, por exemplo, o conhecimento
>heurístico ou investigativo patenteado), pode ser
>determinado de forma arbitrária pelos seus detentores,
>em função da sua utilidade e da necessidade que ela
>constitua. E fora dele, o mesmo acontece com o valor
>de mercadorias produzidas com factores de produção
>que, ainda que similares, não sejam contabilizados de
>forma idêntica (como o tempo de trabalho, nas formas
>de produção familiares independentes ou tributárias),
>ou que sendo diferentes não são pura e simplesmente
>contabilizados (como a força de trabalho de produção
>da mercadoria força de trabalho).
>
>A concepção marxista da exploração baseia-se no facto
>de o capitalista comprar a força de trabalho pelo seu
>valor e se apropriar do valor suplementar gerado pelo
>seu uso. Se compra a força de trabalho pelo seu valor,
>o capitalista adquire o direito do seu uso e o
>benefício da sua utilidade, como em qualquer contrato
>de compra e venda. Não me parece existir neste
>contrato de compra e venda qualquer iniquidade, nem
>sequer de ordem moral, tanto mais que o próprio Marx
>afirma que as mercadorias se trocam pelos seus
>valores. Se a utilidade de uma das mercadorias é
>acrescentar valor no processo produtivo é por isso que
>ela é adquirida. Aliás, qualquer pessoa adquire uma
>qualquer mercadoria precisamente para usufruir da sua
>utilidade; doutro modo, para que a adquiriria? Marx,
>contudo, transformou este facto numa iniquidade moral,
>quando ele próprio afirmara que a moral não era
>chamada para a crítica da economia política.
>
>Para além disto, esta concepção enferma ainda de três
>erros. Primeiro: as mercadorias não se trocam pelos
>seus valores, mas, sim, pelas produtividades relativas
>com que são produzidas; deste modo, a produtividade
>diferencial efectiva a redistribuição do lucro.
>Segundo: o valor da mercadoria força de trabalho não é
>constituído pelos mesmos factores produtivos e, logo,
>é uma grandeza de qualidade diferente e incomparável
>com a grandeza valor das mercadorias capitalistas;
>neste sentido, o seu valor pode ser determinado de
>forma arbitrária, num intervalo tal que a parte do
>produto com que é remunerada (ou que lhe é atribuída)
>seja compatível com uma determinada taxa de lucro.
>Terceiro: o valor acrescentado na produção não é
>gerado apenas pela acção da força de trabalho, isto é,
>pelo trabalho abstracto simples, mas pelo trabalho
>abstracto complexo resultante da inter-relação da
>força de trabalho com os meios de trabalho; a força de
>trabalho é um factor produtivo necessário (e enquanto
>o for) mas não suficiente para transformar uns
>produtos úteis noutros produtos úteis; doutro modo, o
>valor acrescentado seria inversamente proporcional à
>composição orgânica do capital e não directamente
>proporcional, como acontece na realidade.
>
>No fundo, grande parte da argumentação marxista deriva
>de a força de trabalho ser o único factor produtivo
>susceptível de gerar valor. Como Engels acaba por
>reconhecer no prefácio ao Livro 3 de O Capital, se o
>capital produz valor, então a teoria do valor não
>vigora. Eu direi: o fundamental da crítica marxista da
>economia política rui pela base.
>
>Espero que a argumentação produzida, ainda que
>apresentada de forma muito resumida, tenha sido
>suficiente para pôr em relevo os aspectos errados das
>concepções de Marx e possa ter contribuído para
>despertar o interesse pelo aprofundamento do assunto.
>
>JMC.

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Replies:
Subject Author Date
Re: TROCA DESIGUAL E EVOLUÇÃO SOCIAL - 1Guilherme Statter29/08/04 23:33


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